Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação.
O vídeo que iremos apresentar, o foco central é o raciocínio clínico voltado inteiramente para a prevenção de Lesões por Pressão (LPP) a partir de um caso clínico fictício de uma paciente que recebeu alta da UTI.
Abaixo está o resumo estruturado dos principais pontos abordados na videoaula:
- Histórico e Relatório de Admissão da Paciente
O caso apresenta uma paciente de 82 anos vinda da UTI com diagnóstico de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) há 5 dias. O relatório destaca:
- Estado Neurológico: Apresenta hemiplegia total à esquerda e encontra-se sonolenta, com breves períodos de consciência.
- Condições da Pele: Admitida sem sinais de LPP ou edemas nos membros.
- Dispositivos Instalados: Sonda nasoenteral (SNE) em narina direita e acesso venoso periférico em antebraço esquerdo. Também faz uso de prótese dentária.
- Antecedentes e Eliminações: Histórico de infarto (há 12 anos), hipertensão, diabetes e hipercolesterolemia. Eliminação intestinal registrada há um dia.
- Avaliação de Risco (Escala de Braden)
A realização da pontuação da Escala de Braden para classificar o nível de risco da paciente:
- Percepção Sensorial: Muito limitada (Pontuação: 2).
- Umidade: Muito molhada, considerando o contexto de hospitalização pública (Pontuação: 2).
- Atividade: Acamada (Pontuação: 1).
- Mobilidade: Muito limitada (Pontuação: 2).
- Nutrição: Excelente (Pontuação: 4), devido ao suporte e controle rigoroso via sonda nasoenteral.
- Fricção e Cisalhamento: Um problema (Pontuação: 1).
- Resultado: O somatório final resulta em 12 pontos, classificando a paciente em Alto Risco para o desenvolvimento de LPP.
- Diagnósticos de Enfermagem (NANDA)
O grupo mapeia os diagnósticos organizados por armários (domínios) e gavetas (classes) para direcionar o cuidado:
- Domínio 1 (Promoção da Saúde) / Classe 2 (Gestão da Saúde):
- Síndrome da fragilidade do idoso (inserida no contexto didático para demonstrar como o diagnóstico de síndrome engloba outros diagnósticos reais e de risco com intervenções em comum).
- Domínio 4 (Atividade/Repouso):
- Mobilidade no leito prejudicada (Classe 2).
- Risco de perfusão tecidual periférica ineficaz (Classe 4).
- Síndrome da habilidade do autocuidado diminuído (Classe 5).
- Domínio 11 (Segurança/Proteção) / Classe 2 (Lesão Física):
- Risco de lesão por pressão no adulto.
- Risco de integridade da pele prejudicada.
- Risco de integridade tecidual prejudicada.
- Risco de função neurovascular periférica prejudicada.
- Implementações e Prescrição de Enfermagem As ações são divididas em dimensões gerenciais e assistenciais. A Gestão de Recursos (humanos, físicos e materiais) foca em garantir colchões pneumáticos/redutores de pressão, travesseiros, lençóis adicionais para o manejo adequado, cremes de barreira e hidratantes (como Cetaphil e CeraVe).A Prescrição de Enfermagem propriamente dita consolida os seguintes cuidados práticos:
- Mudança de decúbito sistemática.
- Uso de colchões redutores de pressão.
- Aplicação de coxins e protetores adicionais em proeminências ósseas.
- Uso de placas de proteção em proeminências ósseas.
- Higiene íntima contínua.
- Aplicação de creme de proteção de barreira na região íntima.
- Hidratação contínua da pele corporal e íntima.
- Dica Final
- Membro Proibido: É relembrado que em membros acometidos por hemiplegia (assim como em membros com quimioterapia) procedimentos vasculares são proibidos e o padrão visual de alerta nos hospitais é o uso de uma pulseira preta.
