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22/06/2026 | Artigos

Doença De Parkingson – Um Grande Mal

Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação

A Doença de Parkinson ocorre por decorrência da redução da neurotransmissão dopaminérgica nos gânglios da base 1,2.

A dopamina é um neurotransmissor que auxilia na realização dos movimentos voluntários do corpo, como por exemplo andar. A falta de dopamina, em especial na substância negra cerebral ocasiona a perda do controle motor ocasionando sinais e sintomas característicos desse distúrbio.    

O processo de envelhecimento está associado a esta afecção devido à aceleração da perda de neurônios dopaminérgicos com o passar dos anos3. Trata-se de uma afecção neurodegenerativa caracterizada por disfunções monoaminérgicas múltiplas, incluindo déficits dos sistemas dopaminérgicos, colinérgicos, serotoninérgicos e noradrenérgicos4.

Criar estratégias para o cuidado dos idosos que apresentam particularidades e uma elevada prevalência de doenças crônicas degenerativas e incapacitantes é um dos grandes desafios desse século5

As doenças crônicas degenerativas desenvolverem um efeito progressivo e severo caracterizadas pela não regeneração dos tecidos celulares, sendo a Doença de Parkinson (DP) a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente em idosos – que atinge de 1 a 3% dessa população 6, 7. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 1% da população mundial é diagnosticada com a Doença de Parkinson6.

A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa incurável tendo, o processo de intervenção, alta complexidade com a necessidade do envolvimento de múltiplos profissionais, médicos, enfermeiros, cuidadores de idosos, etc.

 Os principais sintomas da Doença de Parkinson são:

  •  tremor em repouso,                         
  •  rigidez muscular,
  •  déficits no equilíbrio e na marcha
  •  bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos.
  •  Declínio intelectual e distúrbios cognitivos, tais como dificuldades de concentração e de memória para fatos recentes, dificuldades para cálculos e em atividades que requerem orientação espacial também podem acontecer.

Essas desordens motoras induzem o idoso a um processo de isolamento social, perdendo a vontade de desempenhar atividades habituais e rotineiras. A Doença de Parkinson ainda induz um processo dependência para as atividades de vida diária com consequente perda de autonomia e redução de sua qualidade de vida7.

O tratamento para a Doença de Parkinson consiste em diversas estratégias, dentre as quais podemos destacar o medicamento Safinamida, disponível no Brasil desde o segundo semestre de 2019, o qual apresenta efeito duplo em pacientes com Parkinson: aumentando a dopamina e bloqueando o glutamato, o que ajudaria a não piorar ou, até mesmo, a bloquear as discinesias.

Os estimuladores cerebrais profundos ou marca-passos cerebrais, implantado na região afetada, são tecnologias disponíveis como tratamento da doença de Parkinson, direcionando a estimulação para uma determinada área evitando estimular também as regiões próximas.

A toxina botulínica pode ser aplicada nas glândulas salivares para reduzir o excesso de salivação característica das pessoas com Parkinson.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Lewis P, Prowland MD. Merrit tratado de neurologia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2007, p.768-83.
  2. Pinheiro JES. Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de janeiro: Guanabara, 2006, p.355-60. SILVA, C. L.; MOURÃO, L. F.; GOBBI, L. T. B. Disartria e Qualidade de Vida em idosos neurologicamente sadios e pacientes com doença de Parkinson. Codas, Campinas, v. 27, n. 3, p. 248-254, 2015.
  3. Rebelatto JR, Calvo JI, Orejuela JR, Portillo JC. Influência de um programa de atividade física de longa duração sobre a força muscular e a flexibilidade corporal de mulheres idosas. Rev Bras Fisioter 2006;10:127-32. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-35552006000100017
  4. Teive HAG. Etiopatogenia da doença de Parkinson. Rev Neurocienc 2005;13:201-14.
  5. SILVA, T. P.; CARVALHO, C. R. A. Doença de Parkinson: o tratamento terapêutico ocupacional na perspectiva dos profissionais e dos idosos. Cad. Bras. Ter. Ocup., São Carlos, v. 27, n. 2, p. 331-344, 2019
  6. MONTEIRO, D.  et  al. Relação entre disfagia e tipos clínicos na doença de Parkinson. Revista CEFAC, Campinas, v. 16, n. 2, p. 620-627, 2014.
  7. FILIPPIN, N. T. et al. Qualidade de vida de sujeitos com doença de Parkinson e seus cuidadores. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 27, n. 1, p. 57-66, 2014.