Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação
A Doença de Parkinson ocorre por decorrência da redução da neurotransmissão dopaminérgica nos gânglios da base 1,2.
A dopamina é um neurotransmissor que auxilia na realização dos movimentos voluntários do corpo, como por exemplo andar. A falta de dopamina, em especial na substância negra cerebral ocasiona a perda do controle motor ocasionando sinais e sintomas característicos desse distúrbio.
O processo de envelhecimento está associado a esta afecção devido à aceleração da perda de neurônios dopaminérgicos com o passar dos anos3. Trata-se de uma afecção neurodegenerativa caracterizada por disfunções monoaminérgicas múltiplas, incluindo déficits dos sistemas dopaminérgicos, colinérgicos, serotoninérgicos e noradrenérgicos4.
Criar estratégias para o cuidado dos idosos que apresentam particularidades e uma elevada prevalência de doenças crônicas degenerativas e incapacitantes é um dos grandes desafios desse século5.
As doenças crônicas degenerativas desenvolverem um efeito progressivo e severo caracterizadas pela não regeneração dos tecidos celulares, sendo a Doença de Parkinson (DP) a segunda doença neurodegenerativa mais prevalente em idosos – que atinge de 1 a 3% dessa população 6, 7. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 1% da população mundial é diagnosticada com a Doença de Parkinson6.
A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa incurável tendo, o processo de intervenção, alta complexidade com a necessidade do envolvimento de múltiplos profissionais, médicos, enfermeiros, cuidadores de idosos, etc.
Os principais sintomas da Doença de Parkinson são:
- tremor em repouso,
- rigidez muscular,
- déficits no equilíbrio e na marcha
- bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos.
- Declínio intelectual e distúrbios cognitivos, tais como dificuldades de concentração e de memória para fatos recentes, dificuldades para cálculos e em atividades que requerem orientação espacial também podem acontecer.
Essas desordens motoras induzem o idoso a um processo de isolamento social, perdendo a vontade de desempenhar atividades habituais e rotineiras. A Doença de Parkinson ainda induz um processo dependência para as atividades de vida diária com consequente perda de autonomia e redução de sua qualidade de vida7.
O tratamento para a Doença de Parkinson consiste em diversas estratégias, dentre as quais podemos destacar o medicamento Safinamida, disponível no Brasil desde o segundo semestre de 2019, o qual apresenta efeito duplo em pacientes com Parkinson: aumentando a dopamina e bloqueando o glutamato, o que ajudaria a não piorar ou, até mesmo, a bloquear as discinesias.
Os estimuladores cerebrais profundos ou marca-passos cerebrais, implantado na região afetada, são tecnologias disponíveis como tratamento da doença de Parkinson, direcionando a estimulação para uma determinada área evitando estimular também as regiões próximas.
A toxina botulínica pode ser aplicada nas glândulas salivares para reduzir o excesso de salivação característica das pessoas com Parkinson.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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