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26/05/2025 | Artigos

Doença de Alzheimer

Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação

    Envelhecer, não é um processo patológico, é um processo natural de qualquer ser vivo e, este processo é acompanhado da deterioração e redução da função de todos os componentes e estruturas corporais.

    Com o envelhecimento, é natural haver morte de células do nosso corpo, inclusive dos neurônios. Os neurônios são as células que coordenam as funções cerebrais de memória, raciocínio, fala, movimentação e pensamentos.

    Na Doença de Alzheimer, ocorre perda progressiva de neurônios em certas regiões do cérebro, como o

 hipocampo, que controla a memória, e o córtex cerebral, essencial para a linguagem e o raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamento abstrato1,2.

   No Brasil, mais de 1 milhão de pessoas vivem com alguma forma de demência, sendo o mal de Alzheimer o mais comum.2 Após o início dos sintomas da doença de Alzheimer, o tempo médio de sobrevida do paciente varia de 8 A 15 anos1,2,3,4.

   A família começa a suspeitar do Mal de Alzheimer quando ocorre a perda de memória recente, alterações no estado de humor ou personalidade, problemas nos processos de comunicação escrita e falada, dificuldades para se orientar no espaço e no tempo assim como dificuldades para completar tarefas que antes eram fáceis2,3, 4.

   Por ser uma doença crônica e incurável, o profissional de enfermagem, assim como a família, deve se adaptar a cada fase da doença de Alzheimer, a qual apresentam características e dificuldades específicas2, 4.

   Na fase inicial, o paciente com mal de Alzheimer pode ser assistido por um cuidador de idosos, entretanto, o ideal é que este cuidador de idoso seja um profissional de enfermagem de nível técnico, treinado e supervisionado por um enfermeiro experiente, em virtude do aumento do grau de dependência e dos riscos de infecções e traumas que acontecem a partir da segunda fase desta triste doença.

  Diversos são os estudos que demonstram o estresse do cuidador de idoso e da família com o avanço das fases do mal de Alzheimer3,5,6,7.

 

 

A fases clássicas da doença de Alzheimer podem ser resumidas no quadro abaixo:

ESTÁGIO FASE

DURAÇÃO

SINTOMAS / ALTERAÇÕES

1

Inicial

Leve

2 a 4 anos

Alterações na memória

Mudanças na personalidade e humor

Dificuldades de aprendizado

Desorientação espacial

2

Intermediária

Moderada

2 a 10 anos

Aumento progressivo da dependência

Afasia – Dificuldade para falar

Apraxia – Dificuldade para realizar tarefas simples e coordenar movimentos.

Agitação e insônia.

Desconhecer amigos e ambientes comuns.

Repetições de frases e palavras

Descuido com a higiene pessoal

3

Final

Grave

Indeterminada

Dependência total

Deficiência motora progressiva.

Inicio do processo da rigidez muscular

Incontinência urinária e fecal.

Dificuldade para comer.

Redução significativa do processo de interação social

4

Terminal

Indeterminada

Dependência total

Restrição ao leito em posição fetal.

Mutismo.

Dor à deglutição.

Infecções respiratórias e urinárias recorrentes.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Alzheimer: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/alzheimer
  2. ASSOCIAÇÃO DE ALZHEIMER. Alzheimer e demência no Brasil. Disponível em: https://www.alz.org/br/demencia-alzheimer-brasil.asp
  3. VIZZACHI BA, DASPETT C, SILVA CRUZ MG, HORTA ALM. A dinâmica familiar diante da doença de Alzheimer em um de seus membros. Rev Esc Enferm USP · 2015; 49(6):933-938. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v49n6/pt_0080-6234-reeusp-49-06-0933.pdf
  4. PRADO MA, CARAMELLI P, FERREIRA ST, CAMMAROTA M, IZQUIERDO I. Envelhecimento e memória: foco na doença de Alzheimer. REVISTA USP, São Paulo, n.75, p. 42-49, setembro/novembro 2007. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13619/15437
  5. ILHA S, BACKES DS, SANTOS SS, GAUTÉRIO-ABREU DP, DA SILVA BT, PELZER MT. Doença de Alzheimer na pessoa idosa/família: Dificuldades vivenciadas e estratégias de cuidado. Esc. Anna Nery vol.20 no.1 Rio de Janeiro Jan./Mar. 2016. Disponível em:
  6. MARINS AMF; HANSEL CGDA SILVA J. Mudanças de comportamento em idosos com Doença de Alzheimer e sobrecarga para o cuidador. Escola Anna NeryJun 2016, Volume 20 Nº 2 Páginas 352 – 356. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ean/v20n2/1414-8145-ean-20-02-0352.pdf
  7. FREITAS IC ET AL. Convivendo com o portador de Alzheimer: perspectivas do familiar cuidador. Revista Brasileira de Enfermagemago 2008, volume 61 no 4 pg 508-513. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v61n4/18.pdf