Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação.
A hospitalização de um paciente é um momento crítico que envolve uma constelação de acontecimentos tanto para o paciente quanto para a sua família. O paciente, ao buscar o atendimento hospitalar, traz sua doença junto com toda a sua vida e, por extensão, isto atinge também a sua Família.
A pessoa hospitalizada se vê separada de tudo o que constitui sua vida habitual, de seus laços afetivos vivenciando, por conseguinte, diversos sentimentos negativos, dentre os quais podem surgir os sentimentos de medo, de isolamento, de dependência, de sofrimento.
De forma geral, o ambiente hospitalar negligencia, quase sempre, as necessidades emocionais do paciente com a finalidade de um melhor resultado clínico. As regras das instituições hospitalares são rígidas em relação às visitas e acompanhantes com vistas ao favorecendo da organização do hospital e não do doente, determina-se, o horário e o número de pessoas que podem visitar o paciente.
No hospital, o paciente é posto margem da sociedade, excluído do seu contexto social, profissional e familiar sendo inserido num ambiente que apresenta foco nos condicionantes clínicos do processo saúde e doença.
No ambiente hospitalar, a pessoa hospitalizada perde privacidade e liberdade, e lhe é imposta a necessidade de uma rápida adaptação a um ambiente diferente do usual. Ademais, no momento da internação, em muitas instituições hospitalares, exige-se do paciente a entrega de todos os pertences, descaracterizando-o do seu mundo real.
Outro fator complicador é a condição rotineira de grande parte dos profissionais de saúde tratarem o paciente como se fosse uma criança, elaborando as frases no diminutivo como forma de mascarar o desrespeito as vontades e necessidades não clínicas dos pacientes1.
Nesse contexto, a pessoa hospitalizada é frequentemente confrontada em suas necessidades básicas e psicológicas, muito bem descritas na Pirâmide de Maslow:
Diversos estudos, bem como, diversos relatos, demonstram que o hospital para pacientes sem acompanhante hospitalar é um ambiente de sofrimento e insegurança.
Em pesquisa realizada com acompanhantes hospitalares em um hospital de fortaleza, Sousa Filho (2008) constatou que o momento da hospitalização é permeado pela depressão, ansiedade, tristeza, medo, preocupação, desinformação, destrato da equipe de saúde ao paciente e família, sendo exacerbado pelo trauma físico, dificuldades econômicas, sociais e implicações legais.
A afetividade deve ser utilizada com possibilidade de mediar as atitudes dos pacientes, incentivando uma postura mais ativa e mais coerente com o que ele sente. Todavia, ainda se constitui desafio para os gestores em saúde a inclusão da família no plano de cuidado à pessoa que vivencia o adoecimento.
A relação do paciente com sua família parece formar um todo e, a cisão desta relação, ocorrida durante a internação hospitalar, leva a uma fragmentação das relações e emoções, mesmo que haja a necessidade do paciente ficar internado. Os Familiares têm o desejo de acompanhar o paciente durante a internação, dentro de suas possibilidades.
Quando conceituamos a saúde como um equilíbrio biopsicossocio-espiritual, deveríamos inserir, no contexto hospitalar, a presença da família ou de acompanhante hospitalar individual e exclusivo trará segurança afetiva ao paciente internado1.
A valorização dos afetos contribui para que o paciente se sinta acolhido, respeitado e incluído socialmente. Quando o paciente tem suas necessidades individuais satisfeitas e percebe a atenção e o cuidado da equipe em sintonia com as ações do acompanhante hospitalar, ele se sente mais seguro. A sensação de segurança, por sua vez, contribui de forma efetiva para a melhora do quadro clínico.
Estando o paciente com um acompanhante hospitalar desde o primeiro instante, os danos emocionais são minimizados e sua recuperação é otimizada.
É fundamental para a equipe de saúde saber que o familiar precisa estar seguro de que a pessoa internada receberá toda a assistência de que necessita. A ansiedade e a desconfiança inicial do familiar e do doente são resultados da própria situação de internação sendo amenizadas por meio das informações dadas3.
O acompanhante hospitalar é fonte de conforto e segurança, um elo com a equipe, um fator de melhoria da qualidade da assistência prestada. É também considerada uma ajuda em potencial na assistência, além de uma oportunidade de educação em saúde ao familiar1. A presença do acompanhante hospitalar é uma das formas de garantir a qualidade no atendimento.
Se o paciente internado for menor de 18 anos de idade, tem assegurado direito a um acompanhante – um dos pais ou responsável – e a cobertura de suas despesas (art. 12 da Lei 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente). O mesmo direito é assegurado aos idosos (60 anos ou mais) submetidos à internação hospitalar, (art. 16 da Lei 10.741/03 – Estatuto do Idoso). No estado de São Paulo, a Lei nº 10.689, de 30 de novembro de 2000, assegura o direito à entrada e à permanência de um acompanhante junto a pessoa que se encontre internada em unidades de saúde sob responsabilidade do Estado, inclusive nas dependências de tratamento intensivo ou outras equivalentes.
O acompanhante hospitalar profissional deve ser um profissional de enfermagem que tem como funções básicas:
- Reduzir a solidão e o estresse da internação;
- Acessar às informações sobre o estado de saúde do paciente;
- Auxiliar à equipe de enfermagem do hospital nos cuidados não invasivos:
- Banho, alimentação, eliminações vesicais e intestinais, mudança de decúbito, troca de fraldas, caminhadas pelo quarto e enfermaria, etc.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- MACIEL MR, SOUZA MF. Acompanhante de Adulto na Unidade de Terapia Intensiva: uma visão do paciente. Acta Paul Enferm2006;19(2):138-43
- SOUSA FILHO OA, XAVIER EP, VIEIRA LJES. Hospitalização na óptica do acidentado de trânsito e de seu familiar-acompanhante. esc. enferm. USP vol.42 no.3 São Paulo Sept. 2008
- Almeida VAL, Narciso RB, Uechi K. Visitas em UTI: uma abordagem frente os sentimentos dos familiares e da equipe de enfermagem. In: Primeiro Ciclo de Debates sobre Assistência de Enfermagem. Anais. 1988; p. 276-92.



