Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação.
O sistema ósseo é um tecido vivo metabolicamente ativo, o qual é submetido a contínuo processo de renovação, adaptação e remodelação óssea1. As células ósseas (osteócito) são as responsáveis pela formação do colágeno, que dá sustentação ao osso. Os canais que interligam os osteócitos permitem que o cálcio, essencial para a formação óssea, saia do sangue e ajude a formar o osso.
A osteoporose é um distúrbio caracterizado pela redução da densidade mineral óssea (DMO), deterioração da microarquitetura óssea e aumento da fragilidade esquelética e do risco de fraturas2.
É imprescindível que o cuidador de idosos tenha ciência que a osteoporose progride lentamente e raramente apresenta sintomas antes que aconteçam fraturas espontâneas ou por trauma físico. Se não forem feitos exames diagnósticos preventivos a osteoporose pode passar despercebida por médicos, familiares, enfermeiros e cuidadores de idosos.
O quadro osteoporose significa condição irreversível, isso ocorre, principalmente em decorrência da morte das células ósseas (osteócitos), os quais são capazes de reter cálcio nos ossos mantendo assim, sua força e densidade.
Com a progressão da osteoporose, os ossos ficam esburacados e quebradiços, em virtude do colágeno e os depósitos minerais serem desfeitos muito rapidamente causando redução da resistência e densidade óssea com elevação do risco de fratura. A densidade mineral de cálcio é reduzida de 50,1% em pessoa normal para 1,3% quando portadora de osteoporose3.
O cuidador de idosos, assim como os profissionais de enfermagem domiciliar precisam ter ciência de que a osteoporose pode atingir:
- Coluna vertebral– Pessoas idosas podem fraturar as vértebras da coluna com frequência. A chamada corcunda de viúva é uma deformação comum e pode até levar à diminuição de tamanho do idoso.
- Punho– Por ser um ponto de apoio, é uma área na qual as fraturas acontecem normalmente. Os ossos sensíveis têm pouca estrutura para sustentar o peso do corpo quando cai.
- Quadril– As fraturas de pelve são difíceis de cicatrizar e podem levar à invalidez. Estudos mostram que em torno de 50% dos idosos que fraturam o quadril não conseguem mais andar sozinhos.
- Fêmur– Também muito comum entre os que desenvolvem a doença. É frequente tanto em homens quanto em mulheres, principalmente depois dos 65 anos. A recuperação costuma ser lenta.
O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis do hormônio estrógeno no que ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea. A osteoporose é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeno caem bruscamente.
A prevalência de fraturas aumenta significativamente em mulheres após a menopausa, aumentando exponencialmente em especial após os 70 anos3. A chance da mulher sofrer fratura de quadril é equivalente ao risco somado de desenvolver câncer de mama, no útero e nos ovários, assim como o risco de falecer decorrente de fratura de quadril, é equivalente à mortalidade por câncer de mama4.
Estima-se que mais de 200 milhões de mulheres no mundo tenham osteoporose e que o número anual de fraturas de quadril decorrentes da osteoporose, saltará de 1,66 milhões para 6,26 milhões em 2050. Projetam-se gastos de 62 bilhões de dólares com fraturas de quadril, nos Estados Unidos, para o ano de 20205.
No Brasil, não há ainda números representativos do perfil da osteoporose. Nos Estados Unidos, a osteoporose é a maior ameaça para a saúde de 24 milhões de pessoas, 80% das quais são mulheres, sendo que 10 milhões já apresentam a doença, que mata 37.500 pessoas por ano, em decorrência de complicações posteriores a fraturas6.
Para diagnóstico da osteoporose o exame mais adequado é a densitometria óssea, que permite avaliar o estágio da doença e serve como método de acompanhamento do tratamento. A densitometria óssea é um exame indolor que mede a massa óssea na coluna e no fêmur, do qual os cuidadores de idosos podem agendar o exame e acompanhar o idoso durante o procedimento. A análise do estado de deterioração do colágeno ósseo também pode ser utilizado para auxiliar no diagnóstico da osteoporose7.
A falta de diagnóstico de osteoporose depois de quadro de fratura constitui um problema importante em vários países do mundo, incluindo o Brasil, como demonstrado no manuscrito publicado nessa edição dos ABE&M8, 9. Mesmo após um evento significativo, como a fratura de quadril, somente, 13,9% dos pacientes receberam o diagnóstico de osteoporose e 11,6% iniciaram algum tratamento no momento da alta hospitalar10. Ratificando esses dados, BRAZOS11, 12 mostrou que cerca de 85% dos homens e 70% das mulheres, com antecedente de fratura por baixo impacto, também não receberam qualquer informação sobre a doença que ocasionou a fratura, a osteoporose.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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