Aguarde, carregando...

Artigos

20/05/2025 | Artigos

Osteoporose: O que é e Como Acontece

Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação.

   O sistema ósseo é um tecido vivo metabolicamente ativo, o qual é submetido a contínuo processo de renovação, adaptação e remodelação óssea1. As células ósseas (osteócito) são as responsáveis pela formação do colágeno, que dá sustentação ao osso. Os canais que interligam os osteócitos permitem que o cálcio, essencial para a formação óssea, saia do sangue e ajude a formar o osso.

   A osteoporose é um distúrbio caracterizado pela redução da densidade mineral óssea (DMO), deterioração da microarquitetura óssea e aumento da fragilidade esquelética e do risco de fraturas2.

   É imprescindível que o cuidador de idosos tenha ciência que a osteoporose progride lentamente e raramente apresenta sintomas antes que aconteçam fraturas espontâneas ou por trauma físico. Se não forem feitos exames diagnósticos preventivos a osteoporose pode passar despercebida por médicos, familiares, enfermeiros e cuidadores de idosos.

   O quadro osteoporose significa condição irreversível, isso ocorre, principalmente em decorrência da morte das células ósseas (osteócitos), os quais são capazes de reter cálcio nos ossos mantendo assim, sua força e densidade.

   Com a progressão da osteoporose, os ossos ficam esburacados e quebradiços, em virtude do colágeno e os depósitos minerais serem desfeitos muito rapidamente causando redução da resistência e densidade óssea com elevação do risco de fratura. A densidade mineral de cálcio é reduzida de 50,1% em pessoa normal para 1,3% quando portadora de osteoporose3.

   O cuidador de idosos, assim como os profissionais de enfermagem domiciliar precisam ter ciência de que a osteoporose pode atingir:

  • Coluna vertebral– Pessoas idosas podem fraturar as vértebras da coluna com frequência. A chamada corcunda de viúva é uma deformação comum e pode até levar à diminuição de tamanho do idoso.
  • Punho– Por ser um ponto de apoio, é uma área na qual as fraturas acontecem normalmente. Os ossos sensíveis têm pouca estrutura para sustentar o peso do corpo quando cai.
  • Quadril– As fraturas de pelve são difíceis de cicatrizar e podem levar à invalidez. Estudos mostram que em torno de 50% dos idosos que fraturam o quadril não conseguem mais andar sozinhos.
  • Fêmur– Também muito comum entre os que desenvolvem a doença. É frequente tanto em homens quanto em mulheres, principalmente depois dos 65 anos. A recuperação costuma ser lenta. 

   O aparecimento da osteoporose está ligado aos níveis do hormônio estrógeno no que ajuda a manter o equilíbrio entre a perda e o ganho de massa óssea. A osteoporose é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens uma vez que, na menopausa, os níveis de estrógeno caem bruscamente.

   A prevalência de fraturas aumenta significativamente em mulheres após a menopausa, aumentando exponencialmente em especial após os 70 anos3. A chance da mulher sofrer fratura de quadril é equivalente ao risco somado de desenvolver câncer de mama, no útero e nos ovários, assim como o risco de falecer decorrente de fratura de quadril, é equivalente à mortalidade por câncer de mama4.

   Estima-se que mais de 200 milhões de mulheres no mundo tenham osteoporose e que o número anual de fraturas de quadril decorrentes da osteoporose, saltará de 1,66 milhões para 6,26 milhões em 2050. Projetam-se gastos de 62 bilhões de dólares com fraturas de quadril, nos Estados Unidos, para o ano de 20205.

   No Brasil, não há ainda números representativos do perfil da osteoporose. Nos Estados Unidos, a osteoporose é a maior ameaça para a saúde de 24 milhões de pessoas, 80% das quais são mulheres, sendo que 10 milhões já apresentam a doença, que mata 37.500 pessoas por ano, em decorrência de complicações posteriores a fraturas6.

   Para diagnóstico da osteoporose o exame mais adequado é a densitometria óssea, que permite avaliar o estágio da doença e serve como método de acompanhamento do tratamento. A densitometria óssea é um exame indolor que mede a massa óssea na coluna e no fêmur, do qual os cuidadores de idosos podem agendar o exame e acompanhar o idoso durante o procedimento.  A análise do estado de deterioração do colágeno ósseo também pode ser utilizado para auxiliar no diagnóstico da osteoporose7.

   A falta de diagnóstico de osteoporose depois de quadro de fratura constitui um problema importante em vários países do mundo, incluindo o Brasil, como demonstrado no manuscrito publicado nessa edição dos ABE&M8, 9. Mesmo após um evento significativo, como a fratura de quadril, somente, 13,9% dos pacientes receberam o diagnóstico de osteoporose e 11,6% iniciaram algum tratamento no momento da alta hospitalar10. Ratificando esses dados, BRAZOS11, 12 mostrou que cerca de 85% dos homens e 70% das mulheres, com antecedente de fratura por baixo  impacto, também não receberam qualquer informação sobre a doença que ocasionou a fratura, a osteoporose.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Junqueira PAA. Utilização de recursos e custos em osteoporose. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2001
  2. Menezes RC, Chaves L, Farias DC. Osteoporose. Bras. Reumatol. vol.48 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2008
  3. Nordin BEC, Need AG. How can we prevent osteoporoses? In: Cristiansen C, Johansen JS, Reis BJ, editors. Copenhagem: Norhavem A/S; 1987. p. 1204-10.
  4. Elffors L. Osteoporotic fractures due to osteoporosis. Impacts of a frilty pandemic in an aging world. Aging (Milano) 1998 ;10: 191-204.
  5. Meyer He, Tverdal A, Falch JA, Pedersen Ji. Factors associated with  mortality  after  hip    osteoporos  int. 2000;11(3):228-32.
  6. Kanis JA, Oden A, Johnell O, de Laet C, Jonsson B. excess mortality after hospitalization for vertebral fracture. osteoporos int. 2004;15(2):108-12.
  7. Garcia R, Leme MD, Garcez-Leme LE. evolution of Brazilian elderly with  hip  fracture  secondary  to  a  clinics. 2006;61(6):539-44.
  8. Coutinho ES, Coeli CM. Accuracy of the probabilistic record linkage methodology to ascertain deaths in survival studies. cad saude Publica. 2006;22(10):2249-52.
  9. Vidal EI, Coeli CM, Pinheiro RS, Camargo KRJr. Mortality within 1 year after hip fracture surgical repair in the elderly according to postoperative period: a probabilistic record linkage study in Brazil. osteoporos int. 2006;17(10):1569-76.
  10. Fortes EM, raffaelli MP, Bracco OL, takata ett, Reis FB, Santili C, Lazaretti-Castro M. elevada morbi-mortalidade e reduzida taxa  de  diagnóstico  de  osteoporose  em  idosos  com fratura  de  fêmur  proximal  na  cidade  de são    ABeM 2008;52:1106-14.
  11. Pinheiro MM, ciconelli RM, Martini LA, Ferraz MB. clinical risk factors for osteoporotic fractures in Brazilian women and men: the Brazilian osteoporosis study (BrAZos). osteoporos int. 2008 (epub).
  12. Pinheiro MM, Mortalidade após Fratura por Osteoporose. Arq Bras Endocrinol Metab 2008;52/7