Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação.
Em geral, no primeiro ano depois da fratura de quadril, cerca de 10% a 20% dos pacientes tornam-se incapacitados, 15% a 40% são institucionalizados e 20% a 35% morrem. Nesse sentido, estudos nacionais, realizados em São Paulo e Rio de Janeiro1,2, com delineamento retrospectivo, demonstraram deterioração funcional e maior taxa de mortalidade (21,5% a 30,35%) em idosos, especialmente por causas cardiovasculares e infecções.
A relação com maior mortalidade é mais evidente após a fratura de quadril3 do que após fraturas vertebrais4 ou periféricas. Em contrapartida, ainda, não está suficientemente esclarecido se o aumento do número de mortes é decorrente da fratura propriamente dita ou se está relacionada com outras variáveis, como idade avançada, presença de doenças concomitantes ou complicações clínicas e cirúrgicas após o evento.
O estudo de Fortes e cols.5 é a primeira pesquisa nacional prospectiva que avaliou a mortalidade e a incapacidade nos primeiros seis meses depois da fratura de quadril. Cinqüenta e seis idosos (80% mulheres), com média de idade de 80 anos, provenientes de dois hospitais de referência da região metropolitana de São Paulo, foram acompanhados, e a taxa de mortalidade encontrada foi de 23,2%. Além disso, verificaram que apenas cerca de 30% retornaram às suas atividades e 11,6% tornaram-se completamente dependentes.
O cuidador de idosos assim como a equipe de enfermagem domiciliar devem ter ciência que idosos acometidos por fraturas apresentam alto risco de morte dessa forma, o tratamento para osteoporose, além de reduzir a taxa de novas fraturas, também diminui a taxa de mortalidade. O tratamento da osteoporose é capaz de reduzir a taxa de fraturas vertebrais (50% a 65%) e não-vertebrais (25% a 40%), até mesmo de quadril.
O objetivo do tratamento da osteoporose é melhorar a força e a qualidade óssea, reduzindo o risco de fraturas. Estudos clínicos têm demonstrado que é possível obter este resultado reduzindo a reabsorção de cálcio dos ossos pelo corpo, aumentando a formação óssea ou ambos6.
A prevenção e o tratamento da osteoporose faz-se através de:
- Programa de exercícios: exercícios resistidos (musculação) são os que apresentam melhores resultados na melhora da densidade óssea.
- Nutrição adequada: Manter uma dieta rica em cálcio. Ex: leite e derivados.
- Evitar excesso de álcool, do café e do sal.
- Suplementação com cálcio e vitamina D
- Parar de fumar
- Medicamentoso: indicado e prescrito pelo médico Tratamento:
- Bisfosfonatos: Alendronato, Risedronato,
- Ibandronato, ácido ZoledrônicoRanelato de Estrôncio
- Raloxifeno
- Calcitonina
- Teriparatida (PTH 1-34)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- Garcia R, Leme MD, Garcez-Leme LE. evolution of Brazilian elderly with hip fracture secondary to a clinics. 2006;61(6):539-44.
- Vidal EI, Coeli CM, Pinheiro RS, Camargo KRJr. Mortality within 1 year after hip fracture surgical repair in the elderly according to postoperative period: a probabilistic record linkage study in Brazil. osteoporos int. 2006;17(10):1569-76.
- Meyer He, Tverdal A, Falch JA, Pedersen Ji. Factors associated with mortality after hip osteoporos int. 2000;11(3):228-32.
- Kanis JA, Oden A, Johnell O, de Laet C, Jonsson B. excess mortality after hospitalization for vertebral fracture. osteoporos int. 2004;15(2):108-12.
- Fortes EM, raffaelli MP, Bracco OL, takata ett, Reis FB, Santili C, Lazaretti-Castro M. elevada morbi-mortalidade e reduzida taxa de diagnóstico de osteoporose em idosos com fratura de fêmur proximal na cidade de são ABeM 2008;52:1106-14.
- Menezes RC, Chaves L, Farias DC. Osteoporose. Bras. Reumatol. vol.48 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2008




