Por professor Vitor Marques, Mestre em enfermagem – EEUSP, Enfermeiro intensivista UTI – EEUSP, Fisiologista do envelhecimento e movimento – FMUSP, Especialista em Envelhecimento e Reabilitação.
O ar que respiramos não é limpo, ao contrário, ele é carregado de partículas suspensas, que podem estar na forma de gotículas (mais pesadas) ou na forma de aerossóis (mais leves ).
Em cada inspiração, nosso sistema respiratório é bombardeado por partículas estranhas ao nosso corpo = antígenos, das quais, se não forem impedidas de entrar ou, se não forem expelidas rapidamente, podem provocar doenças em nosso corpo:
| Microrganismos | Poeiras | Cinzas |
| Micropartículas minerais | Gazes tóxicos | Pólen |
Estima-se que a área de trocas gasosas pulmonares seja equivalente ao tamanho de uma quadra de tênis dobrada em nossa caixa torácica e, a quantidade de ar inspirado em 24 horas, seja igual a quantidade de água para encher 01 (uma) raia de uma piscina olímpica1.
Cuidadores de idosos, enfermeira domiciliar e profissionais de saúde devem ter a ciência que, ao considerar a proteção do sistema respiratório contra microrganismos, o objetivo principal dos mecanismos de defesa corporal é retirar do trato respiratório todos os antígenos inalados. Para isso, diversas ações ocorrem quando antígenos são detectados em nosso sistema respiratório, sendo as principais delas:
O sistema respiratório é composto por diversas estruturas ocas, revestidas por tecido mucoso e células especializadas e é dividido em vias aéreas superiores – VAS e vias aéreas inferiores – VAI.
Podemos considerar as VAS todas as estruturas que se estão localizadas fora da caixa torácica e, as VAI com as estruturas dentro da caixa torácica, conforme a subdivisão abaixo2,3,4:
| VIAS AÉREAS SUPERIORES | NARIZ | ![]() |
| FARINGE | ||
| LARINGE | ||
| TRAQUEIA | ||
| VIAS AÉREAS INFERIORES | TRAQUEIA | |
| BRONQUIOS | ||
| ALVÉOLOS |
Deus, em sua maravilhosa criação, dotou nosso corpo com diversos mecanismos de proteção capazes de impedir que antígenos invadam o nosso organismo. Caso nosso corpo seja invadido por antígenos, há, também, uma série de mecanismos de defesa para expulsar ou eliminar o invasor.
Nosso cérebro monitora e coordena constantemente nosso corpo regulando as ações de defesa contra antígenos.
As barreiras corporais podem ser divididas da seguinte forma1,7,8:
| BARREIRA FÍSICA | BARREIRA QUÍMICA | BARREIRA IMUNOLÓGICA |
| Pelos – Pele
Muco Vestíbulo nasal |
Lágrima
Saliva Suco gástrico |
Glóbulos brancos = células imunológicas
Imunoglobulinas = anticorpos Células ciliadas = células mucosa respiratória |
Ao longo de todos os órgãos e estruturas do sistema respiratório, existem diversas estruturas e mecanismos responsáveis por filtrar o ar inspirado, evitando que antígenos atinjam os nossos pulmões. Sendo detectado antígenos nas estruturas respiratórias, diversos mecanismos são acionados para expelir essas substâncias/agentes.
NARIZ
- SUBDIVISÃO ANATÔMICA: NARIZ EXTERNO
- ESTRUTURA DE DEFESA: Pelos nasais e Vestíbulo nasal
- BARREIRA FÍSICA:
- O ar ao entrar nas narinas, forma um fluxo laminar e turbulento no pavilhão do nariz externo ao chocar-se com o vestíbulo nasal, antes de entrar na porção interna do nariz, segurando partículas de até 3mm de diâmetro4. Este maravilhoso processo ocorre para que as partículas grosseiras fiquem presas no vestíbulo nasal e nos pelos da narina. Essas partículas são revestidas por muco para serem posteriormente expelidas do nosso corpo.
- SUBDIVISÃO ANATÔMICA: NARIZ INTERNO
- ESTRUTURA DE DEFESA: Conchas nasais; Células ciliadas; Tecido linfoide associados à mucosa (Células imunológicas); Reflexos neurais; Imunoglobulinas (anticorpos)
- BARREIRA FÍSICA E BIOLÓGICA: O ciclo nasal é caracterizado por flutuações na congestão da mucosa nasal, que ocorrem de maneira rítmica e alternada entre as cavidades nasais4. O muco nasal tem por função filtrar, umedecer e aquecer o ar inspirado2,3,4,5.Partículas inaladas maiores a 0,5mm são presas por impacto nas conchas nasais associadas à atração eletrostática na mucosa nasal4. Detectado antígenos no nariz interno, há o edema (inchaço) das conchas nasais, aumentando a resistência para a passagem do fluxo de ar. Associado a este processo, há aumento na viscosidade e liberação de muco objetivando segurar este antígeno nas narinas internas. Esse excesso de muco traz consigo células imunológicas e imunoglobulinas A secretoras (anticorpos) que atuam no combate à microrganismos e a toxinas bacterianas2,4,8. Essas imunoglobulinas A séricas são diferentes das imunoglobulinas A séricas. As células ciliadas da mucosa nasal empurram esse excesso de mudo para fora do nariz por 4. Em casos mais extremos, o cérebro ativa o mecanismo de espirrar, para expulsar esses antígenos da cavidade nasal. Junto ao muco, células de defesa juntamente com anticorpos invadem a cavidade nasal para eliminar esses antígenos.
FARINGE
- SUBDIVISÃO ANATÔMICA: NASOFARINGE (atrás do nariz)
- e OROFARINGE (atrás da boca)
- ESTRUTURA DE DEFESA:
Nasofaringe: Tonsila Faríngea (adenóides); Tônsila tubária (óstio das tubas auditivas)
Orofaringe: Tonsilas Palatinas (amigdalas); Tonsila Lingual (base da língua)
- DEFESA BIOLÓGICA: O Anel Linfático Faríngeo-ALF (Waldeyer) é formado por estruturas imunológicas (linfoides) na região aero digestiva atrás do nariz e da boca tendo como ação principal a proteção biológica do organismo contra antígenos que possam penetrar pelo nariz ou boca5,10,11. As estruturas do ALF são formadas de constituem a primeira linha de defesa contra doenças e produzem leucócitos para ajudar o organismo a lutar contra infecções5,10,11.
- SUBDIVISÃO ANATÔMICA: LARINGO FARINGE
ESTRUTURA DE DEFESA: Músculos constritores e longitudinais da laringe; Epiglote – Glote
- Músculos constritores e longitudinais da laringe: DEFESA MECÂNICA Os músculos da faringe têm ação no processo de deglutição e fala, encurtando a faringe e elevando a laringe. Com isso, há o fechamento da epiglote e da glote impedindo-se assim, que o alimento caia na cavidade laríngea4,5,12,13.
- Epiglote – Glote: DEFESA MECÂNICA A glote e a epiglote têm a função de impedir a entrada de alimentos para a árvore brônquica além de facilitar a entrada e a saída de ar para os pulmões4,5,13. Quaisquer substâncias sólidas ou líquidas que adentrar na cavidade laríngea é detectado pelos nervos receptores da laringe o que provoca, instantaneamente, reflexo de engasgo, o qual ocasiona apneia seguida de tosse4.
TRAQUEIA + BRONQUIOS
- SUBDIVISÃO ANATÔMICA: VAI/VAS e BRONQUIOS PRINCIPAIS, LOBARES, SEGMENTARES
- ESTRUTURA DE DEFESA: Glândulas mucosas; Células ciliadas; Células imunológicas; Macrófagos + neutrófilos + linfócitos; Imunoglobulinas = anticorpos; Reflexos neurais: Engasgo + tosse.
- DEFESA MECÂNICA E BIOLÓGICA: As glândulas seromucosas produzem muco com a finalidade de aquecer, umedecer e filtrar o ar inspirado além de servir como instrumento de defesa segurando microrganismos e partículas de sujeiras de diâmetros entre 5µm a 10µm (micrômetros) 1,3,4,8,14. Tanto a traqueia quanto os brônquios são revestidos por um epitélio cilíndrico ciliado os quais movimentam as secreções mucosas e as partículas de matérias estranhas no sentido da laringe1,3,4,5,14. Em casos mais extremos, há compressão brusca da musculatura lisa traqueal e brônquica em processos de tosse, expelindo o antígeno para a faringe, para ser engolido ou cuspido.
BRONQUÍOLOS + ALVÉOLOS
- SUBDIVISÃO ANATÔMICA: BRONQUÍOLOS – INTRALOBULARES, TERMINAIS, RESPIRATÓRIOS e ALVÉOLOS
- ESTRUTURA DE DEFESA: Célula de Clara, Pneumócitos, Células imunológicas, Imunoglobulinas = anticorpos
- DEFESA QUÍMICA E BIOLÓGICA As célula de Clara têm a função de produzir surfactante (tipo especial de muco) necessário para prevenir colabamento dos alvéolos e bronquíolos respiratórios durante a expiração. O surfactantetambém atua inativando componentes xenobióticos (componentes químicos estranhos ao corpo humano) por meio de reações oxidativas 4,17. Os pneumócitos produzem surfactante alveolar4,17. Macrófagos, neutrófilos e outros componentes do sistema imunológico estão presentes no trato respiratório final objetivando eliminar antígenos patogênicos presentes nesta porção da árvore respiratória.
Deus, em sua maravilhosa obra, tornou nosso sistema de proteção pulmonar tão eficiente que, nos indivíduos normais, nosso trato respiratório apresenta microrganismos apenas nas vias aéreas superiores. A partir dos brônquios (árvore brônquica abaixo da carina) não há mais a presença de microrganismos.1
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ESTRUTURA DE DEFESA: Músculos constritores e longitudinais da laringe; Epiglote – Glote

